quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pressuposto e Subentendidos

Pressupostos e subentendidos são informações implícitas num texto, não expressas formalmente, apenas sugeridas por marcas linguísticas ou pelo contexto. Cabe ao leitor, numa leitura proficiente, ir além da informação que se encontra explícita, identificando e compreendendo as informações implícitas, ou seja, lendo nas entrelinhas.

Os pressupostos são de mais fácil identificação, estando sugeridos no texto. Os subentendidos são deduzidos pelo leitor, sendo da sua responsabilidade.

Exemplos:

- Heloísa está cansada de ser professora.

Pressuposto: Heloísa é professora.

Subentendido: Talvez porque o salário é baixo ou há muita indisciplina.

- Infelizmente, meu marido continua trabalhando fora do país

Pressuposto: O marido está trabalhando fora do país e a mulher não está satisfeita com essa situação.

Subentendido: Talvez por ter melhor salário fora do país ou por não encontrar trabalho no seu país.

Pressupostos

Os pressupostos são informações implícitas adicionais, facilmente compreendidas devido a palavras ou expressões presentes na frase que permitem ao leitor compreender essa informação implícita. O enunciado depende dessa pressuposição para que faça sentido. Assim, o pressuposto é verdadeiro e irrefutável.

Exemplos de pressupostos:

- Decidi deixar de comer carne.

Pressuposto: A pessoa comia carne antes.

- Finalmente acabei minha monografia.

Pressuposto: Demorou algum tempo para terminar a monografia.

- Alunos que estudam de manhã costumam ter melhor rendimento.

Pressuposto: Há alunos que não estudam de manhã.

- Desde que ela mudou de casa, nunca mais a vi.

Pressuposto: Costumava vê-la antes dela mudar de casa.

Marcas linguísticas que facilitam a identificação de pressupostos:

  • Verbos que indicam fim, continuidade, mudança e implicações: começar, continuar, parar, deixar, acabar, conseguir,...

  • Advérbios: felizmente, finalmente, ainda, já, depois, antes,...

  • Pronome introdutório de orações subordinadas adjetivas: que

  • Locuções que indicam circunstâncias: depois que, antes que, desde que, visto que,...

Subentendidos

Os subentendidos são insinuações, informações escondidas, dependentes da interpretação do leitor. Não possuem marca linguística, sendo deduzidos através do contexto comunicacional e do conhecimento que os destinatários têm do mundo. Podem ser ou não verdadeiros e podem ser facilmente negados, visto serem unicamente da responsabilidade de quem interpreta a frase.

Exemplos de subentendidos:

- Quando sair de casa, não se esqueça de levar um casaco.

Subentendido: Está frio lá fora.

- Já tenho a garganta seca de tanto falar.

Subentendidos: Quero beber um copo de água ou quero parar de falar neste momento.

- Você vai a pé para casa agora?

Subentendidos: Eu posso lhe dar uma carona ou é perigoso andar a pé na rua a estas horas. 

              


                                Exercícios:
1. Identifique as informações pressupostas nas frases abaixo:
a) “Capital da Líbia volta a ser bombardeada”
b) “Estado do Rio registra primeiro caso de dengue tipo 4”
c) “Para Ronaldinho Gaúcho, proposta do Flamengo foi a melhor”
d) “Botafogo ainda não definiu treinador”
e) “Abel Braga volta a treinar o Fluminense”
f) “Vasco busca título inédito da Copa do Brasil”

2. Identifique as informações subentendidas nas frases abaixo:
a) “Você gostaria de ir ao cinema comigo qualquer dia?” (rapaz abordando uma moça numa festa)
b) “E você é simpático” (mulher respondendo a um elogio feito por um admirador)
c) “A bolsa da senhora está pesada?” (um rapaz)
d) “Você tem horas?” (um homem apressado)
e) “Filho, leve o guarda-chuva” (mãe)



Explicação sobre Denotação e Conotacão


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Variação e Preconceito Linguístico

Entende-se como preconceito linguístico o julgamento depreciativo contra determinadas variedades linguísticas. Segundo a linguista Marta Scherre, o "julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria fala" geralmente atinge as variedades associadas a grupos de menor prestígio social.


Não é difícil perceber que muitas são as diferenças que marcam a fala de individuos que, por mais que falem o mesmo idioma e morem no mesmo país, mantém variadas formas de dirigir à palavra ao próximo.

Variedade linguística ou preconceito linguístico?

E é exatamente neste sentido que a variedade linguística se enquadra, uma vez que ela representa os mais diferenciados modos de falar: seja de forma mais arrastada, engolindo uma ou outra letra ou utilizando termos/expressões que não são seriam conhecidos em outras regiões do país.
 Diferentemente do que o senso comum pode acabar atribuindo à variedade linguística, sua existência não quer dizer que existem diferentes línguas, mas sim, diferentes formas de se expressar por meio dela, o que irá depender da própria herança cultural, fonética e linguística de cada um.
Evidentemente, um indivíduo que nasce na região Nordeste do Brasil não terá o mesmo modo de falar do que uma pessoa que foi criada na região Sul, por mais que estejamos falando da mesma língua e do mesmo país.
E assim como não podemos dizer que existem culturas superiores ou inferiores umas às outras, também não é certo comparar diferentes modos de falar, concedendo superioridade ou inferioridade a qualquer um deles. Sendo assim, o indivíduo que cresceu no Sul do país não pode ter o seu modo de falar rebaixado ou considerado inferior por aqueles que adotaram a variedade linguística nordestina – e nem vice-versa.
E mesmo que a variedade linguística deixe claro o fato de que existem diferentes formas de falar um mesmo idioma, é comum padronizarmos a língua com base em parâmetros de certo ou errado.
O Brasil, por exemplo, é um país dividido em cinco diferentes regiões – o que garante que cada uma delas tenha seus próprios dialetos, suas expressões e é claro, sotaques. Tais dimensões com certeza não permitiriam a uniformidade da língua, afinal, é praticamente impossível impor que um indivíduo fale da mesma forma do que outro estando há 3.000 quilômetros de distância no mapa.
A partir do momento em que apontamos determinado ‘erro’ ou ‘acerto’ na gramática de um indivíduo que tem como base uma variedade linguística diferente do que a nossa, estamos, na realidade, utilizando o idioma como uma forma de discriminação de diferentes grupos sociais.
E é neste sentido que o preconceito linguístico surge, sendo ele caracterizado como qualquer crença errônea e discriminada (sem que haja respaldo científico) de alguma língua, ou então, dos falantes da mesma.

Características que distanciam a variedade linguística do preconceito linguístico

Se por um lado a variedade linguística permite que o indivíduo se expresse de diferentes formas, utilizando-se de variados dialetos, termos e vocabulários, por outro, o preconceito linguístico é o que julga essas outras formas de se comunicar (em sua língua padrão de nascença ou não) que não seja a sua própria.
A variedade linguística, por sua vez, é baseada na premissa de que existem diversas formas de escrever, falar ou comunicar uma língua, e que por isso, não há como estabelecer critérios de ‘certo’ ou ‘errado’ ou ‘superior’ e ‘inferior’ a falantes de um mesmo idioma.
Esse pensamento errôneo, muitas vezes, leva indivíduos à crença de que apenas a forma como ele fala – ou a variedade mais ‘padrão’ da língua – é a que deve ser aceita em sociedade, quando na realidade, a língua é composta por uma infinidade de variações utilizadas não só por diferentes povos, mas também, em diferenciadas situações do cotidiano. Pense bem: você se comunica com o seu chefe da mesma forma como fala com o seu filho bebê? Ou se comunica com o seu cachorro do mesmo modo como com a sua esposa?
Já no que se refere ao preconceito linguístico, os principais mitos que ele alimenta são:
  • Línguas ou dialetos primitivos são ‘informais’ ou errôneos;
  • Só a classe culta e formal da língua possui gramática adequada para uso no cotidiano;
  • Povos indígenas e/ou moradores de pequenas comunidades (como as da América ou África, por exemplo) não contam com língua própria, mas apenas utilizando-se de dialetos informais para se comunicar.
Além disso, cabe destacar que o preconceito linguístico está comumente associado à própria língua nata do indivíduo, que julga outras formas de utilizá-la que não seja a sua própria.
Neste sentido, os mais comuns mitos de preconceito linguístico são:
  • Pessoas com baixo nível de escolaridade ou mais ‘pobres’ tendem a utilizar a língua de modo errôneo;
  • O próprio brasileiro não conhece a sua língua. O português de verdade só é falado em Portugal;
  • A língua portuguesa tem padrões que devem ser constantemente seguidos para que o indivíduo se comunique de modo correto com ela;
  • O problema é que a língua portuguesa é muito complicada, com muitas regras gramaticais;
  • Devemos falar de tal jeito porque se escreve de tal jeito;
  • Para escrever e falar bem é preciso dominar a gramática do português.

Português Instrumental

Pressuposto e Subentendidos

Pressupostos e subentendidos são informações implícitas num texto, não expressas formalmente, apenas sugeridas por marcas linguísticas ou...